A Psicoterapia Reichiana é uma abordagem terapêutica psicossomática, criada por Wilhelm Reich, que atua a nível psicológico, corporal e bioenergético. Pela sua diversidade de recursos terapêuticos, ela é eficaz tanto no tratamento de distúrbios psicológicos, por exemplo: depressão, ansiedade, fobias, dificuldades de relacionamento humano e afetivo, como também em muitos distúrbios orgânicos, dentre eles: dores de cabeça, hipertensão, asma, distúrbios menstruais, colite, gastrite e obesidade. Na visão reichiana o ser humano é uma unidade psicossomática, corpo e mente formando um sistema integrado.
Cada pessoa leva consigo as marcas, favoráveis e adversas, deixadas por sua história de vida. Memórias inconscientes de diferentes experiências de vida, e situações ocorridas desde a infância, forjam os padrões mentais e emocionais que compõem nossa personalidade. Nas psicoterapias, o trabalho verbal psicodinâmico permite, através da fala, um reprocessamento e uma re-significação de conteúdos de memória traumáticos ou conflitivos. O trabalho verbal é essencial e indispensável. Porém, tem eficácia terapêutica limitada quando empregado isoladamente. Isto porque, nossa história de vida deixa marcas, não só na mente, mas também no corpo e no funcionamento energético. Foi justamente em busca de melhores resultados terapêuticos que Reich desenvolveu uma terapia psicossomática, a qual associa o trabalho verbal a técnicas de intervenção corporal.
Em suas pesquisas clínicas e experimentais, Reich descobriu que os distúrbios psico-emocionais estão sempre associados a distúrbios corporais (anatômico-fisiológicos) dos quais são partes integrantes. A esse conjunto de distúrbios corporais ele denominou “couraça”, devido à sua função defensiva de contenção emocional. A formação da couraça (encouraçamento) inclui alterações musculares (tensão ou flacidez), viscerais, respiratórias, sensoriais, circulatórias e hormonais. Reich descobriu ainda que a couraça se organiza no corpo em sete conjuntos funcionais, aos quais denominou segmentos: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. Os trabalhos terapêuticos corporais visam a dissolução da couraça (desencouraçamento), acompanhada da liberação de impulsos e emoções reprimidas, e da elaboração dos conteúdos psíquicos associados.
As pesquisas de Reich levaram também à descoberta de que em nosso organismo existe uma energia específica que ele chamou de bioenergia, ou orgone, que circula pelo corpo impulsionada pelas nossas funções emocionais e fisiológicas. A energia orgônica corresponde à energia Qui descrita pela medicina chinesa (provavelmente os dois termos referem-se ao mesmo fenômeno). Mas Reich chegou a esta descoberta por outras linhas de investigação e desenvolveu outros métodos de atuação terapêutica sobre ela. A couraça, que resulta na contenção de impulsos e emoções, promove também um bloqueio nos fluxos de energia orgônica. Isto faz surgir no organismo regiões com deficiência de energia (bloqueios hipo-orgonóticos), ou regiões com excesso de energia estagnada (bloqueios hiper-orgonóticos), predispondo ao surgimento de doenças. Os trabalhos de desencouraçamento promovem a regularização destes fluxos de energia e, conseqüentemente, a restauração da saúde.
A Psicoterapia Reichiana utiliza várias técnicas de desencouraçamento que são sempre associadas aos trabalhos verbais psicodinâmicos. Estes se fundamentam na teoria psicanalítica freudiana e na análise do caráter desenvolvida por Reich, incluindo o manejo clínico do fenômeno da transferência. Os principais trabalhos corporais utilizados são:
- Movimentos oculares e foto-estimulação - A visão é o sentido mais importante na estruturação do psiquismo humano, estando cada região do campo visual associada a determinados conteúdos psíquicos. Reich criou várias técnicas de focalização e movimentação ocular que são usadas até hoje. Mais recentemente Barbara Koopman criou a técnica de foto-estimulação ocular com a luz em movimento que, ativando os movimentos conjugados dos dois olhos com visão binocular, estimula a conexão funcional entre os dois hemisférios cerebrais, favorecendo o acesso a conteúdos do inconsciente e o reprocessamento de memórias emocionalmente significativas. Além da luz branca utilizam-se luzes de cor azul, verde e vermelha, que estimulam, de forma específica, determinadas células da retina, gerando impulsos nervosos que são conduzidos a diferentes regiões do cérebro. Assim, cada cor atua mais especificamente sobre determinados conteúdos psico-emocionais.
- Respiração - A contenção das emoções sempre envolve a contenção dos movimentos respiratórios. Existem vários tipos de perturbações respiratórias, podendo, haver contenção da inspiração ou da expiração, e estas podem ocorrer a nível torácico ou diafragmático. Em cada caso utilizam-se técnicas próprias de desbloqueio.
- Actings - Também chamados de movimentos desbloqueantes ou de movimentos ontogeneticamente significativos. São ações corporais voluntárias repetidas, que reproduzem e ativam funções importantes nos processos de percepção e expressão afetiva, e também, no processo de desenvolvimento ontogenético, ativando marcas de memória de diferentes fases da vida. Existem algumas dezenas de actings utilizados para o desencouraçamento das várias regiões do corpo.
- Técnicas de Manipulação - A massagem reichiana utiliza tipos específicos de toque aplicados sobre a musculatura e sobre pontos energéticos da superfície do corpo. O trabalho sobre a musculatura visa à recuperação de sua tonicidade e a dissolução de tensões crônicas. O trabalho sobre os pontos energéticos, que funcionam como centros de distribuição de energia e integração reflexológica, favorece a regularização dos fluxos bioenergéticos. Cada músculo e cada ponto estão ligados a determinadas emoções e conteúdos psíquicos reprimidos.
- Outras técnicas - Trabalhos de expressão sonora, movimentos expressivos dos membros, visualizações, expressões faciais, técnicas posturais e de equilíbrio, alongamento, e também, técnicas vivenciais envolvendo a dinâmica da relação paciente-terapeuta, associadas ao manejo da transferência.
A teoria e a prática desenvolvidas por Wilhelm Reich ampliaram-se a partir da clínica, abarcando outras dimensões da complexidade humana e construindo uma cosmovisão que transcende a subjetividade, ao abordar a identidade funcional entre tudo que é vivo.
QUEM FOI WILHELM REICH?
Wilhelm Reich (1897-1957) foi um psicanalista austríaco, discípulo de Sigmund Freud que criou, a partir da Psicanálise uma nova abordagem terapêutica a qual, além das intervenções verbais, de fundamentação psicanalítica, também inclui intervenções corporais. Esta abordagem terapêutica foi inicialmente chamada de Vegetoterapia Caractero-Analítica e posteriormente de Orgonoterapia. Atualmente, é comum referirmo-nos a ela simplesmente como Psicoterapia Reichiana.
Reich ingressou na IPA (Associação Internacional de Psicanálise) em 1920 quando era ainda estudante de medicina, permanecendo oficialmente vinculado a esta instituição até 1934. Em 1921 passou a atender pacientes encaminhados por Freud, na Clínica Psicanalítica de Viena, da qual mais tarde foi eleito diretor. Em 1922 criou, com apoio de Freud, o Seminário de Técnica Psicanalítica de Viena, destinado à pesquisa e ao aperfeiçoamento da abordagem psicanalítica. A partir de seus estudos sobre o manejo clínico da transferência e da resistência, desenvolveu a Análise do Caráter, uma das mais importantes contribuições à abordagem clínica da psicanálise.
Seu interesse em compreender as origens sociais das doenças mentais e buscar métodos de prevenção das neuroses, levou-o a desenvolver um trabalho sócio-político intenso junto a juventude operária alemã, trabalho este que recebeu a denominação de Sexpol. Sua atuação político-social custou-lhe muitas perseguições pois, nessa época, a Alemanha estava vivendo o auge da ascensão do nazismo. Custou-lhe também o seu desligamento da IPA, uma vez que seus dirigentes temiam que seu envolvimento político pudesse ameaçar a sobrevivência desta sociedade na Alemanha hitlerista. Para não ser preso pelos nazistas, Reich precisou fugir da Alemanha, em 1934, refugiando-se em Oslo na Noruega.
Na Universidade de Oslo, sua pesquisa clínica e experimental sobre a dinâmica biopsíquica das emoções permitiu que ele descobrisse o fenômeno do encouraçamento, elucidando aspectos fundamentais da relação entre soma e psiquismo. Suas pesquisas sobre a energia orgônica forneceram nova fundamentação às concepções energéticas mais antigas, permitindo correlacioná-las com os conceitos freudianos de libido e energia psíquica e demonstrando sua relação com a sexualidade. Suas pesquisas sobre a biopatia do câncer demonstraram como esta, e outras patologias, são engendradas num longo processo de desequilíbrio emocional e bioenergético.
Reich foi, sem dúvida, um importante pioneiro no estudo dos fenômenos psicossomáticos. Suas descobertas não se limitam a explicar o envolvimento psíquico nas doenças orgânicas, mas também o envolvimento de disfunções corporais no caráter neurótico e nas psicopatologias.
Theodore Wolfe, importante pesquisador em Psicossomática, foi a Oslo estudar com Reich e traduziu para o inglês várias de suas obras. Em 1939, Reich mudou-se para os Estados Unidos a convite de Wolfe que, juntamente com sua esposa Francis Dunbar, e Franz Alexander, fundaram, neste mesmo ano, a Sociedade Americana de Medicina Psicossomática.
A partir da década de 40 a Medicina Psicossomática oficial afastou-se de Reich, principalmente devido às perseguições políticas que ele passou a sofrer nos EUA. Desta forma, a Medicina Psicossomática não assimilou as descobertas posteriores de Reich, nem incorporou seus métodos terapêuticos, ficando assim desprovida de uma abordagem clínica própria. O conhecimento reichiano evoluiu como uma especialidade terapêutica independente.
A partir de 1945 as descobertas de Reich se diversificaram, passando a abranger outros campos do conhecimento além da clínica, como a Puericultura, a Psicologia de Massas e a pesquisa experimental em Ciência Orgonômica, dentre outros.
PÓS-REICHIANOS E NEO-REICHIANOS
Os vários discípulos e seguidores de Reich, na Europa e nos Estados Unidos, constituíram escolas e desenvolveram algumas abordagens terapêuticas que ganharam outras denominações. Dentre eles, vale destacar:
Ola Raknes: principal discípulo de Reich na Europa ensinou sua abordagem em vários países, sendo que vários de seus alunos ganharam destaque significativo.
Elsworth Baker: principal discípulo de Reich nos Estados Unidos fundou o American College of Orgonomy, instituição ainda em atividade, e que edita a revista Journal of Orgonomy.
Alexander Lowen: aluno e paciente de Reich, conquistou notoriedade pelos diversos livros que escreveu, popularizando assim a abordagem da Psicoterapia Corporal. Lowen passou a denominá-la de Bioenergética, embora esta corresponda, em essência, à abordagem original de Reich com algumas modificações nas técnicas de intervenção corporal.
David Boadella: aluno de Ola Raknes, escreveu um importante livro sobre a vida e obra de Reich. Criou, a partir do pensamento reichiano, uma abordagem terapêutica que denominou Biossíntese.
Barbara Koopman: aluna de E. Baker e ex-presidente do American College of Orgonomy, criou a técnica de foto-estimulação ocular com a luz em movimento, que se tornou uma das mais importantes técnicas de desencouraçamento ocular.
Federico Navarro: aluno de Ola Raknes, propôs uma sistematização das técnicas de desencouraçamento seqüencial dos segmentos, que se constitui numa metodologia mais padronizada.
NOVA ABORDAGEM CLÍNICA DA PSICOTERAPIA REICHIANA
Quase 50 anos se passaram desde a morte de Reich. Durante estes anos, a metodologia clínica criada por ele vem evoluindo e se aperfeiçoando, não só pela experiência acumulada e pelas descobertas de seus discípulos e seguidores, mas também pela incorporação de novas técnicas terapêuticas e aperfeiçoamentos metodológicos resultantes de descobertas mais recentes no campo das psicoterapias, das neurociências e de outras áreas de conhecimento.
Alguns exemplos de aperfeiçoamentos metodológicos que incorporamos à abordagem clássica da psicoterapia reichiana são:
- a técnica de foto-estimulação ocular com a luz em movimento;
- a sistematização do emprego de luzes coloridas com base no espectro de absorção dos fotorreceptores da retina;
- a incorporação de outros mapeamentos energéticos e reflexológicos às técnicas de manipulação;
- a integração dos conhecimentos da Psicossomática Clássica e Contemporânea ao pensamento funcional reichiano;
- a adaptação do método EMDR (Eye Movement for Dissensitization and Reprocessing) para emprego associado aos métodos da Psicoterapia Reichiana e, principalmente;
- um novo enfoque nas intervenções verbais e corporais baseando-se numa melhor compreensão dos mecanismos cerebrais de processamento de informações, de consolidação e evocação de memórias, e da influência dos estados emocionais sobre estes mecanismos.
Assim sendo, quando dizemos que empregamos uma nova abordagem clínica da Psicoterapia Reichiana, estamos reconhecendo e valorizando os avanços metodológicos que foram incorporados. Porém, continuamos denominando esta abordagem de Psicoterapia Reichiana, Vegetoterapia ou Orgonoterapia, termos empregados por Reich, porque continuamos seguindo, na íntegra, todos os parâmetros teóricos e práticos de sua abordagem.
BIBLIOGRAFIA SOBRE REICH E PSICOTERAPIA REICHIANA
Os títulos listados abaixo referem-se aos livros que são considerados de maior importância e encontrados com maior facilidade:
LIVROS DE W. REICH
Reich, W. A Função do Orgasmo. SP, Brasiliense, 1979.
Um dos principais livros de W. Reich. Descreve a evolução do pensamento e do trabalho reichiano desde a Psicanálise até a Vegetoterapia Caractero-Analítica. Indicado para iniciar a leitura da obra reichiana, principalmente em seu aspecto clínico.
_________. Análise do Caráter. SP, Martins Fontes, 1979.
Este livro apresenta características semelhantes ao livro A Função do Orgasmo, porém seu conteúdo é mais denso e profundo: conceitua caráter, relacionando-o com resistência, estase de energia e conservação do equilíbrio neurótico, descrevendo a teoria da formação do caráter. Enfatiza o trabalho com a análise do caráter, manejo clínico da transferência e da resistência. Descreve algumas formas definidas de caráter e sua função. Considerada uma leitura difícil para leigos.
_________. A Revolução Sexual. RJ, Zahar, 1976.
Reich discute a repressão sexual existente em algumas de suas formas de manifestação como, por exemplo, no casamento e na família e analisa a idéia da revolução sexual da juventude e da liberdade sexual.
_________. Escuta, Zé Ninguém! SP, Martins Fontes, 1982.
Neste livro Reich faz uma crítica, através de um desabafo, ao homem oprimido pelas instituições sociais e em conflito consigo mesmo. Descreve a cumplicidade deste homem com as regras vigentes e como a peste emocional é alimentada desta forma.
_________. O Éter, Deus e o Diabo: a Superposição Cósmica. SP, Martins Fontes, 2003.
Reich discute o conceito de funcionalismo orgonômico, sensação de órgão e energia orgone cósmica.
_________. O Assassinato de Cristo. SP, Martins Fontes, 1982.
Repensando todo o processo de vida e morte de Cristo, Reich procura fazer uma análise calcado em idéias e conceitos de peste emocional, genitalidade e verdade bioenergética.
_________. Paixão e Juventude - Uma Autobiografia 1897-1922. SP, Brasiliense, 1996.
Reich faz um registro de sua juventude trazendo, através de sua própria ótica, os fatos e as emoções que marcaram e determinaram, de certo modo, a sua história.
_________. Psicologia de Massas do Fascismo. SP, Martins fontes, 1988.
Reich procura demonstrar que o movimento fascista é a expressão irracional do ser humano, cujas necessidades biológicas e primárias encontram-se reprimidas pela sociedade. Procura analisar a função social da opressão e o papel da família, do misticismo e do Estado.
_________. The Cancer Biopathy. NY, Farrar, Straus and Giroux, 1973.
Aborda em detalhes desde experimentos em laboratório, que levaram a descoberta dos bions e bacilos T e sua relação com a biopatia do câncer, até a pesquisa clínica de Reich no tratamento orgonoterápico de pacientes com câncer. Inclui também reflexões mais amplas sobre a gênese multifatorial dessa biopatia.
LIVROS DE OUTROS AUTORES
Boadella, D. Nos Caminhos de Reich. SP, Summus, 1985.
Histórico do desenvolvimento do pensamento e da obra de Reich, desde seu trabalho como psicanalista até o desenvolvimento da Orgonoterapia. Linguagem clara, precisa e objetiva.
Baker, O Labirinto Humano. SP, Summus, 1980.
Baker procura fazer uma síntese dos mais importantes conceitos da abordagem clínica reichiana. Escrito de forma simples e objetiva e, em alguns momentos, simplificada demais.
Lowen, A. O Corpo em Terapia. SP, Summus, 1977.
O autor discute a ação da bioenergia nos processos somáticos e psíquicos, apresentando exemplos de casos clínicos. Descreve diversos tipos de estrutura de caráter, procurando resumir e exemplificar vários aspectos da teoria caracterológica de Reich.
Raknes, O. Reich e a Orgonomia. SP, Summus, 1988.
Descreve a relação de Reich com a Orgonomia, a relação da Orgonomia com outros saberes e o conceito de saúde na Orgonomia. Ola Raknes realiza essa descrição a partir do contato que estabeleceu com Reich durante sua vida como seu aluno e colaborador.
Navarro, F. A Somatopsicodinâmica. SP, Summus, 1995.
Estuda a disposição segmentar da couraça, descrevendo cada segmento com ênfase nas patologias e sua interpretação segundo a ótica somatopsicodinâmica reichiana.
Dadoun, R. Cem Flores para W. Reich. Barcelona, Anagrama, 1975.
Descrição, em ordem alfabética (de A até Z), de diferentes conceitos e fatos da obra e vida de W. Reich.
Wagner, C. A Transferência na Clínica Reichiana. SP, Casa do Psicólogo, 2003.
O autor procura demonstrar como a transferência pode ser manejada, e sua elaboração facilitada, através da abordagem corporal no processo piscoterápico. Apresenta diversos casos clínicos, além de demonstrar a relação da Psicanálise com a economia sexual, da Psicanálise com a Vegetoterapia e desta com outras Psicoterapias Corporais.
Albertini, P. Reich em Diálogo com Freud: Estudos sobre Psicoterapia, Educação e Cultura. SP, Casa do Psicólogo, 2005.
Aborda as convergências e divergências freudianas e reichianas.